A expressão da moda é:



http://br.freepik.com

É interessante como de tempos em tempos surge um termo que as pessoas adoram usar. Na maioria das vezes, ninguém sabe de onde vem, o que não impede a disseminação do seu uso. Dependendo do sentido, chega a ser engraçado o quanto as pessoas se acham descoladas, só por estar utilizando aquela expressão, que é o mais novo sucesso da língua portuguesa nas rodas de conversa, redes sociais, TV, etc.

Pensando nisso, a primeira expressão que me veio a mente foi “caiu a ficha”, além de ser até bastante útil, e apesar de ter começado como uma moda, vem perdurando por muito tempo, e o mais interessante é que hoje é usada até por aqueles que não viveram a época dos orelhões de ficha, os quais deram origem a esta expressão. Existem expressões que passam e voltam, chega a ser é curioso ouvir os jovens de hoje falando “é da hora”, velha expressão que não se sabe de onde, foi ressuscitada.

Em algum momento de lucidez passageira, nasceu a “politicamente correto(a)”. Até parecia que as pessoas estavam preocupadas em seguirem o sentido dessas palavras, que eram ditas hora com orgulho, hora com elegância, como um modo de reivindicar uma atitude ou declaração correta por parte de algum indivíduo, normalmente pessoa pública, que de alguma forma não foi feliz em suas declarações ou em seus feitos.

Há bem pouco tempo estávamos todos mergulhados nas diversas “vibes”, cada hora em uma diferente, ou cada pessoa em uma. Nunca foi tão necessário estar sintonizado em alguma  “vibe”. Primeiro era preciso reconhecer a própria, pra depois se conectar com outras pessoas que estivessem na mesma frequência, para tanto era fundamental estar alertas aos sentidos. Quando via alguém falando que estava ou não em alguma dessas vibrações, não conseguia evitar de imaginar que estava diante de uma antena receptora, e o pior é que nem sempre conseguia identificar a frequência vibratória da criatura. Confesso que não gosto muito dessa expressão, não me parece “da hora” e não percebo ser confortável para todo tipo ouvinte.

Mas como modismos são passageiros, me parece que a expressão do momento é: “empoderar”. É impressionante como tem tanta gente ficando poderosa, de repente descobriu-se que é preciso delegar poderes. Essa palavra me dá até arrepios, se cai em mãos erradas, a coisa pode ficar feia, visto que é algo que só serve pra quem sabe usar. Então fico me perguntando: será que esses empoderados serão dignos deste voto tão grande de confiança? espero que sim, pois certamente aqueles que, neste momento, entendem a importância desta transferência de competência,  imaginam estar fazendo a coisa certa no contexto em que hoje se vive. Espero também que os resultados não sejam passageiros como a expressão, pois conceder autoridade a quem imagina-se saber usar, é tentar guiar as pessoas na direção correta, para se obter delas aquilo que elas têm de melhor. E que o melhor vença, do contrário, nos restará torcer para que uma nova expressão surja para neutralizar a soberania desses “empoderados”.

Quem eram eles?


http://poemasrecanto.blogspot.com.br

Durante alguns anos, nos velhos tempos de Faculdade, sempre que era época de carnaval, costumava alugar uma casa no centro da Folia em Olinda junto com um grupo de amigos, numa localização privilegiada, onde nem precisava sair de lá se quisesse, para ver os blocos e toda a animação do carnaval. Era só arrumar uma vaguinha num dos janelões super disputados do antigo casarão, e a melhor visão da folia estava garantida. Como gostávamos de aproveitar ao máximo essa festa, sem ter que nos preocupar com transporte, alimentação, etc, concluímos que esta era a melhor opção, e a mais segura, porque aproveitávamos para brincar durante o dia, começando cedo, e à noite nos recolhíamos também cedo, não nos expondo aos ânimos exacerbados de alguns que já não ficavam nas ruas para brincar, mas sim para arrumar encrenca ou algo semelhante.

Bem antes dos dias de folia, começávamos a nos organizar, convocando os nossos colegas para a cota do aluguel da casa. Normalmente todos se conheciam e um ou outro era novo no grupo, mas sempre era parente ou conhecido de alguém do nosso círculo de amizade, ou seja, praticamente formávamos um grupo de amigos, fazendo com que o clima da casa fosse sempre muito familiar, até porque quem cuidava da parte burocrática do assunto eram os pais de duas irmãs colegas nossas, os quais também ficavam conosco na casa. Cada um levava o seu colchão e se arrumava como desse, o importante era se divertir e todos respeitarem as regras de convivência de uma quase “república de Carnaval”. Apesar de serem muitas pessoas, o espírito era sempre de alegria e colaboração, não faltando bons e divertidos momentos nessas estadas, sempre com muitos lances engraçados para lembrar quando o Carnaval acabava.

E no último dia depois de prepararmos tudo para mudança de volta pra casa, havia sempre aquele momento em que nos sentávamos para comentar os acontecimentos do carnaval e da casa, muitas histórias, umas engraçadas, outras meio loucas. Mas em um desses carnavais, aconteceu uma no mínimo espantosa, surgida ao acaso quando a mãe das nossas colegas indagou sobre a presença de um casal não muito jovem, que ficara conosco até a terça de carnaval naquele ano. Tudo bem até ela questionar de quem eles eram amigos, nesta hora, o espanto foi geral e na seqüência já surgiu a pergunta da nossa parte: - ué, e eles não eram amigos de vocês? Rapidamente deduzimos o que aconteceu: enquanto pensávamos que eles eram parentes ou conhecidos da família das nossas colegas, por outro lado, eles imaginaram que o casal era conhecido de uma das pessoas da turma que sempre ficava na casa, e vez por outra levava mais alguém, ou seja, ninguém conhecia aqueles dois “artistas”. Ao chegar a esta constatação, desabafamos todos quase ao mesmo tempo: “que cara de pau!”. Inacreditavelmente, eles haviam penetrado na casa e agido como se nos conhecessem, além disso, tiveram a ousadia de se apossaram de um dos disputados janelões, durante todo o tempo em que lá estiveram. Após se aproveitarem da nossa hospitalidade, saíram com suas malinhas em baixo do braço na véspera da quarta-feira de cinzas e antes do almoço, na maior discrição, sem se despedir de ninguém, provavelmente para evitar serem descobertos. Estávamos boquiabertos e chocados com a nossa constatação. Esta, sem dúvida, foi a história mais maluca e absurda que vivenciamos naqueles áureos tempos de folia compartilhada e a que nos deixou com a eterna pergunta sem resposta: quem eram eles?